Merda da oxitocina em falta

Há muitas evidências de que a oxitocina provoca um efeito importante no comportamento social de humanos. Sob a influência desta hormona, nota-se um aumento de generosidade. Generosidade? Precisamos desta merda urgentemente. Há tanta gente a quem falta generosidade. Essas pessoas seriam mais felizes se fossem generosas. Porque quando se dá, também se recebe. As perceções das expressões emocionais e sensibilidade também são beneficiadas com a oxitocina. Por isso a próxima vez que alguém ofender a tua sensibilidade, ou se demonstrar que não entende que te está a invadir ou a tratar-te mal, não mandes essa pessoa à merda, porque isso não muda nada, e manda-a comprar oxitocina à minha banquinha de hormonas, porque eu tenho essa para dar e vender. Aliás, quanto mais atos de generosidade praticamos, mais liberamos oxitocina de forma natural no organismo. Generosidade não me falta, até seria bom ter um bocadinho menos. Porque quando temos a mais, damos, damos, e se damos à pessoa errada, essa pessoa perceciona erradamente a nossa generosidade como fraqueza e há sempre os que abusam. Há aquele provérbio que diz que quando se dá a mão, querem o braço. E depois do braço, há quem ainda procure a perna, o pé, e nos degluta totalmente se falharmos em nos impor. Mas nem tudo está perdido. Se te deparares com pessoas nada generosas, e elas não puderem vir comprar um saquinho de generosidade à minha banquinha, diz-lhes que também alguns alimentos são capazes de estimular a liberação de oxitocina e outras hormonas que produzem sensações de bem-estar, felicidade e bom humor, como a serotonina, por exemplo. Portanto a próxima vez que alguém te insultar, porque está de mal com a vida, e achares que tão cedo não consegue comprar oxitocina, dá-lhe imediatamente uma barra de chocolate. Quando alguém atentar contra a tua integridade gratuitamente, só porque sim, só porque há pessoas que se sentem melhores com elas próprias quando rebaixam outra pessoa qualquer, diz-lhe para ir comer mais banana, ovos e frutos do mar. Pode ser que essa merda resulte. A pessoa sentir-se-á mais feliz e consequentemente não vai ter a necessidade de se alimentar da tristeza do outro. Aliás, eu até proponho uma nova maneira de respondermos aos bullies: Ó bully, vai comer bananas. Faz sentido. Assim como faz sentido falarmos mais um pouco do bullying nos tempos em que correm. Se bem que esta merda sempre existiu. Eu entrei com 5 anos na primeira classe e tinha rapazes de 13 anos, repetentes da quarta classe há demasiados anos, que me perseguiam para me agarrar os pulsos e os tornozelos e gritar-me aos ouvidos que eu era um cadáver ambulante de tão magra, apenas ossos. Afetou-me tanto que o meu maior sonho na altura era ter pneus de gordura na barriga. Depois no secundário, a merda deste calvário continuou. Na altura dizia-se: As crianças são mesmo más. Agora tem um nome: bullying. Cheguei a usar 3 pares de collants para simular pernas mais grossas. Mesmo no calor do Verão. Eu vivia constantemente sob assédio verbal relativamente à minha aparência física só porque eu tinha uma constituição fina e era magrinha, ainda que sempre tenha sido saudável. São esses bons genes os mesmos que me dão agora uma aparência física elegante aos 38 anos. E os mesmos rapazes que gozavam comigo quando eu era criança, foram depois os mesmos adolescentes que andavam atrás de mim, e agora são os mesmos adultos que me admiram. Ora, digo a essas pessoas agora o mesmo que devia ter dito quando criança: Ó bully, vai comer bananas. Chegavam a empurrar-me, faziam-me rasteiras, tentavam bater-me, mas a maioria das vezes usavam as palavras como armas. Talvez por isso, e porque sou uma pessoa sensível e não me falta oxitocina, eu seja tão cuidadosa com as palavras e tenha um cuidado tão grande em não ferir as suscetibilidades de ninguém. Hoje em dia, sofro por vezes de cyberbullying, isto porque tive a experiência única de ter participado num reality show; e com a visibilidade, ganhei pessoas que nunca conheci e que me adoram, e que enviam mensagens de carinho a elogiarem a minha personalidade, mas também, ainda que em muito menos quantidade, recebo mensagens no Instagram que são violência gratuita. O cyberbullying, no dicionário, é o uso da tecnologia para assediar, ameaçar, envergonhar ou atingir outra pessoa. Pode atender à definição de assédio ou perseguição virtual e é um crime que pode ter consequências legais. Inclui o envio de e-mails de merda, mas também de mensagens nas redes sociais. Para dizer a verdade, a mim não me incomoda porque eu cheguei a uma altura da vida que considero e valorizo o que e quem realmente merece ser valorizado, e passa-me ao lado todas as outras merdas. Até porque acredito que essas pessoas são infelizes e essa é a maneira tóxica que eles têm de extravasar as suas dores e frustrações, e as mensagens que enviam são nada mais que projeções dos seus defeitos e problemas. Lá está, a felicidade de um, infelizmente incomoda muitos outros. Falta-lhes com certeza oxitocina e serotonina e provavelmente muitas outras coisas mais. No entanto, seria no mínimo agradável que essas pessoas comessem mais bananas e atirassem menos pedras. Porque existem muitas pessoas que podem não ser tão seguras de si ou que não tenham um suporte emocional tão forte e que essa pressão negativa ou violência psicológica possam exercer um grave impacto na vida dessas pessoas. Trará por certo infelicidade, solidão, depressões e no extremo, o recurso ao suicídio. Geralmente, e isto está cientificamente corroborado, as “vítimas de bullying” são pessoas competentes, educadas, resilientes, sinceras, desafiam o status quo, são mais empáticas ou atraentes do que a maioria. Ora, deixo já aqui o meu agradecimento por esses sete elogios, sabe sempre bem. Por outro lado, estudos revelam que a inveja e o ressentimento podem ser motivos para o bullying. Pesquisas sobre a autoestima dos bullies dizem que enquanto alguns agressores são arrogantes e narcisistas, eles também podem usar o bullying como uma ferramenta para esconder vergonha ou ansiedade ou para aumentar a própria autoestima: ao humilhar os outros, o agressor sente-se fortalecido. O psicólogo Roy Baumeister afirma que as pessoas propensas a comportamentos abusivos tendem a ter egos inflados, mas frágeis. Por pensarem muito em si mesmos, frequentemente se sentem insatisfeitos e frustrados, e reagem com violência e insultos. Pesquisadores identificaram outros fatores de risco, como a depressão, transtornos de personalidade, bem como a rápida reação de raiva e uso da força, o vício em comportamentos agressivos, ou a interpretação das ações dos outros como sendo hostis, a preocupação excessiva com a preservação da autoimagem, o envolvimento em ações obsessivas ou rígidas. Acredito que alguns bullies estejam num círculo vicioso e negativo do qual pensam que não conseguem sair, mas gostava que essas pessoas pensassem melhor antes de descarregar no outro, todas as suas frustrações. E procurassem ajuda. Porque se uma pessoa vítima de bullying pode precisar de ajuda, o bully também precisa, de uma ajuda diferente, mas precisa. Para que possam fazer diferente do que fizeram no dia anterior, e quebrem essa corrente. Passemos a levantar o ego do outro, em vez de o rebaixar, por favor. Eu gosto tanto de elogiar, gosto tanto de reconhecer as virtudes dos meus amigos e de mencioná-las. Sinto-me feliz ao fazer isso. E generosidade traz generosidade. Somos nós que fazemos a nossa vida, e somos nós que escolhemos plantar sementes positivas, plantar bons sentimentos, decorar com plantas e flores o nosso caminho; mas por outro lado, somos também nós que escolhemos atirar pedras e por isso mesmo depararmo-nos com mais pedras pelo caminho. Acredito que quem me esteja a ler seja do lado bom da vida, e seja dos que como eu gosta de elogiar, e provavelmente seja logicamente também dos que já sofreu em alguma altura da vida de bullying. Para ti, o meu grande beijinho. No entanto, se houver algum bully recalcado aqui a ler o meu texto, antes que ele ou ela me continue a ler, só tenho uma coisa a dizer a essa pessoa: vá é comer bananas.

Publicado por Sofia Vila Nova

Cabin crew, copywriter, translator for the media, blogger, wanna-be screenwriter, wanna-be singer, wanna-be psychologist, very nice person but clearly suffering from alternating attention.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: