Merda de dúvida

Ando há coisa de 3 meses com uma dúvida de merda. Será que eu seria mais feliz com um par de sapatos ou com um homem? Uma daquelas sondagens de merda concluiu que na realidade há muita mulher que não vê grande benefício em manter uma relação com um homem. Eu tenho sido advogada dos homens a minha vida toda, até porque nunca tive obsessão nenhuma por sapatos e os meus 53 pares de sapatos não me deixam mentir; mas ultimamente tenho andado com esta dúvida. É que os meus sapatos nunca me deixaram ficar mal e os homens já. De acordo com a mesma pesquisa, 60 por cento das mulheres afirmaram que para elas os homens são muito úteis a matar aranhas. Só por isto já dá para ver que esta era uma pesquisa de merda, mas adiante; também eu já matei muitas aranhas com um sapato, sem recorrer a homem nenhum. Em Londres, durante os 3 anos em que lá vivi quando estava baseada no aeroporto de Gatwick, não havia uma única noite em que eu não espreitasse para dentro da cama antes de fechar a luz para ver se ia passar ou não a noite com uma aranha. Pode parecer paranoia mas não era. Só no outono passado calculou-se que cerca de 150 milhões de aranhas invadiram as casas do Reino Unido. E não eram daquelas queridinhas quase transparentes, eram daquelas que quando eu fechava os olhos para dormir conseguia ouvi-la a andar no quarto. Ora ter-me-ia dado jeito ter lá um homem para me proteger, mas tinha os meus sapatos que me foram ainda mais úteis nessa época de acasalamento das aranhas gigantes domésticas. Elas a acasalar e eu a dormir agarrada a um sapato. Metade das mulheres que responderam merda nesta pesquisa, apontaram as altas habilidades dos homens para fazer churrasco e 70 por cento disse que os homens são vantajosos quando se trata de mudar um pneu. Entendo: se alguém sabe como grelhar são os homens e um sapato sozinho ou até mesmo um par de sapatos, não conseguiria grelhar o meu bife mal passado ou consertar o meu computador ou pendurar um quadro pesado direitinho na parede ou ir tão longe como conseguir trocar a merda de um pneu de um carro. Ou um pneu de uma merda de carro, em alguns casos. Os homens ganham pontos aqui, mas por exemplo quanto às bebidas alcoólicas, um sapato não fica bêbado nem coloca a culpa toda nas bebidas extra para justificar estupidamente aquele caso ocasional com aquela rapariga do grande-par-de-mamas cujo nome ele não se lembra porque não significou nada, diz ele. A verdade é que eu nunca vi um sapato bêbado. Às vezes, tentar explicar algo a um homem, bêbado ou não, pode ser tão frustrante como falar com um par de sapatos; mas um sapato nunca vai insultar uma mulher nem agredi-la fisicamente, nem ignorá-la. O sapato é o novo cavalheiro. Ele protege os meus pés contra as pedras da calçada e contra a sujeira mesmo que ele ande na lama, e sabe quando me aquecer os pés. Já alguns homens gostam de empurrar as mulheres para baixo, para parecerem mais altos. Claro que os homens não são todos assim: o meu pai não é assim, os meus irmãos não são assim, o meu namorado não é assim, os meus amigos não são sempre assim, e tu que me estás a ler não és assim com certeza; mas há muitos homens assim; já os sapatos fazem invariavelmente a mulher parecer mais alta. É verdade que o sapato não vai ajudar em algumas coisas que os homens poderiam, como com mapas ou a matemática. Um homem pode facilmente adicionar e subtrair, dividir e multiplicar; e um sapato não. Mas isso não é suficiente, homens. Step up. É que a concorrência é forte: todos os dias os sapatos estão a ficar melhores e mais fortes. Hoje em dia os sapatos não querem apenas ter uma boa aparência. Eles querem ser reforçados, imbatíveis, insubstituíveis. Há o sapato tonificante para melhorar a força muscular e tónus, o equilíbrio, melhorar a postura, queimar mais calorias, aliviar o stress nas articulações e até mesmo eliminar as dores nas costas, no pé ou na perna. Também há os ténis de desporto ou de corrida que não só fornecem substancial amortecimento na sola como também oferecem suporte para o arco, ajudam na prevenção de lesões e podem promover a melhoria do desempenho atlético. Escolher os sapatos certos é muito importante para o corpo e para a saúde em geral. Não deve ser apenas um sapato bonito. É necessário muito mais do que só a beleza para terem a potencialidade de vir a ser o nosso par perfeito: sejam eles homens ou sapatos. Todos os anos, a população feminina perde 44 milhões de dias de trabalho devido à dor causada pelos sapatos errados. E quanto tempo é perdido por causa de homens errados? Não sei, mas uma merda de uma pesquisa sobre isso é que eu gostava de ver. A relação das mulheres com os sapatos tem tudo para ser longa e não corremos sequer o risco seremos traídas ou deixadas. Um bom par pode durar longos anos e pode até acompanhar-me ao meu último endereço na terra, se forem os meus preferidos. Homens: os sapatos são realmente os vossos rivais mais fortes. A cada dia que passa precisamos menos dos homens. Eu li no outro dia num jornal de merda que especialistas em fertilidade do Instituto de Medicina Reprodutiva e Genética em Los Angeles encontraram já uma maneira das mulheres terem bebés sem a parte genética do homem. Pode ser um rumor de merda, vindo de onde vem não me surpreenderia, mas se for verdade, isso significa que todas as crianças nascidas a partir deste processo seriam meninas e geneticamente idênticas à sua mãe. Assustador ou não, e levado ao extremo, isso poderia levar a uma sociedade dominada pelas mulheres, onde os homens têm pouca ou nenhuma importância. O homem até poderá vir a ser extinto e a humanidade vir a consistir apenas de mulheres e meninas e avós e sapatos. A Cinderela é a prova relativamente viva de como um par de sapatos pode mudar a vida de uma mulher. O príncipe foi só um meio para ela poder comprar mais sapatos e mais caros. Mas mesmo o par perfeito pode doer muito às vezes, independentemente se é de um homem ou de um sapato que estamos a falar. Outro estudo de merda mostra que mais de 80 por cento das pessoas que trabalham 50 horas por semana são homens. Mas nem temos como saber ao certo se eles estão realmente lá a trabalhar. Temos de confiar, e depois apanhar DSTs. Mas sabemos exatamente o que o nosso sapato está a fazer e com quem está: ou está connosco ou está no armário. No meu caso também pode estar na bagageira do carro. Mas lá está, sabemos. E um sapato nunca nos vai deixar adormecer sozinhas. Um sapato nunca nos vai enganar. Nunca vai usar a desculpa do ginásio como álibi para o seu caso sórdido, ou sair para uma noite nos copos com os amigos que afinal era uma noite com outra mulher. O sapato nunca aquecerá outro par de pés, se nós não os emprestarmos. Não pretendo que este texto seja uma lista exaustiva de prós e contras sobre homens e sapatos, até porque já estou também um pouco farta desta merda de conversa. De qualquer modo, penso que cada cada mulher é uma mulher, cada homem é um estudo de caso e cada sapato está na sua própria caixa de sapatos. Cabe à mulher em questão decidir o que se encaixa melhor na sua vida. É, acho que já não tenho mais merda nenhuma de dúvida. E não estou a dizer que seja certo ou justo ou correto ou normal mas acho que funciona melhor para mim estar numa relação com um par de sapatos. Então vou assumir. São perfeitos para mim. Além disso, eu tenho certeza de que os meus sapatos nunca me iriam deixar por outro par de pés mais novo, mesmo se fossem de um par maior do que o meu.

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